Inovação no Varejo
Mobilidade para integrar o varejo digital ao varejo físico
Cresce confiança no m-commerce. Uma pesquisa recente realizada por duas empresas da área de mobilidade, a Pagtel e a Mobi.life, indica que quase 70% dos brasileiros que já fizeram algum tipo de compra pela internet e têm smartphones e tablets, utilizaram os dispositivos móveis para pagamentos on-line neste ano. Em igual período de 2013, a proporção era de 57%. O motivo do crescimento da confiança: praticidade. Eis uma oportunidade ímpar para diminuir o maior gap enfrentado pelo mercado online perante o físico.
Analisando números da Euromonitor Internacional, observamos que as vendas on-line em 2008 representavam 2% do total de vendas do varejo brasileiro. Em 2013 este número alcançou 3%. E a previsão para 2018 é que se atinja 5% (aproximadamente R$ 60 bilhões). Sob o ponto de vista dos números, aparentemente os 5% estimados para 2018 não são tão relevantes assim. Principalmente para alguns nichos, como o de supermercados, que possuem hoje uma representatividade bem menor.
Afinal, se há tantos brasileiros acessando a internet, seja por dispositivo móvel ou PC, esta projeção não deveria ser maior? Acredito que sim, mas há barreiras para que este número seja superior. É verdade que no ambiente on-line temos melhores preços, informações detalhadas sobre os produtos e uma variedade maior de escolhas. Por outro lado, no varejo físico, temos hábitos adquiridos há séculos: a conveniência, a possibilidade de experimentar, a possibilidade de devolver ou trocar ali, naquela mesma loja e com aquele mesmo vendedor. Além disso, a loja física alimenta uma necessidade inconsciente: “o prazer do imediatismo”.
O m-commerce é um canal que possibilita a promoção direcionada, bem como uma maior interação com os produtos. E o principal: a sensação da compra imediata, por impulso, se assemelhando ao varejo físico e diminuindo o principal gap entre o mundo digital e o físico. Mas como isto é possível?
Em primeiro lugar não podemos esquecer o básico: quem possui um smartphone possui acesso à internet, ao menos a grande maioria. Estes consumidores podem até esquecer a carteira em casa, mas não esqueceram este dispositivo, que está sempre ligado e pronto para ser utilizado, seja em casa, no trabalho, em uma festa, na academia, em qualquer lugar.
Então, temos que dar a oportunidade para estes consumidores encontrarem nossos produtos em locais e horários que antes não fazíamos ideia de que era possível. O já disseminado case da Tesco é um exemplo clássico, utilizar vitrines virtuais com QR Code. Mas não é só na Ásia não. Aqui no Brasil a Mercode, empresa que vende itens de supermercados pela internet, disponibilizou em duas estações de metrô de São Paulo 90 itens para venda, semelhante ao case da Tesco. A Netshoes disponibiliza um app através do qual você pode fotografar um tênis que você achou bacana, buscar um igual ou semelhante disponível na NetShoes e, com um clique, adquirir o mesmo.
Quando falamos em m-commerce, não podemos nos limitar a disponibilizar um site para ser acessado por usuários de smartphones e tablets. Temos que pensar além, criar soluções que permitam o cliente experimentar o produto e com um clique comprar. Se ele está dentro da minha loja, posso disponibilizar um app para autoatendimento, disponibilizar todas as informações do produto e deixar a escolha dele, se ele vai levar, pegar depois ou receber em casa. Já podemos pensar em novas formas de pagamento com dispositivos móveis, pois muitas vezes o incomodo da espera em uma fila supera o prazer do imediatismo, não é mesmo? Se o cliente quer receber o produto que comprou online no mesmo dia, podemos entregar na casa dele no mesmo dia ou então permitir que ele retire o produto na loja física. Veja, por exemplo, formas que grandes players on-line estão buscando para se tornarem presentes no “varejo físico”: Amazon Locker, Google Buffer Box e Swapbox.
Outro ponto a ser explorado pelo m-commerce é a compra recorrente. Apps que permitam somar experiências de compras positivas com compras rotineiras serão bem recebidas pelos consumidores. Exemplos muito simples e práticos: lista de medicamentos em farmácias ou a lista do “rancho” no supermercado.
Para finalizar, retorno a comentar sobre os 5% de compras on-line no varejo previstas para 2018. Serão 5% diretamente originadas do mundo on-line, mas não podemos pensar de maneira desconexa: o varejo on-line, seja m-commerce ou e-commerce, não existirá em 2018 como um canal isolado. O canal fisital estará disponível e a sinergia criada por estes canais complementares, vão transformar o varejo em favor dos consumidores.
Eisler Voigt / Diretor Comercial
@eislervoigt
